Como será o futuro do software?


Nossa comunidade imagina como a IA pode permitir uma interação mais humana com o software.
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Fotografia de Uta Eisenreich
Explore Software Is Culture, uma coleção de histórias sobre a influência do design em nosso pensamento e nossas interações.
Ao mesmo tempo, as interações que projetamos também nos moldam. Gestos como um zoom em pinça, tocar para curtir e deslizar para a direita, criados inicialmente para atender a uma necessidade de produto, passaram a ter um impacto desproporcional na cultura. Com a IA, estamos noutro ponto de inflexão, onde podemos imaginar novas formas de desenvolver, usar e interagir com softwares.
Pedimos à nossa comunidade que imaginasse como poderia ser esse mundo. As interações compartilhadas trazem ideias sobre nosso relacionamento com as tecnologias, nosso entendimento de nós mesmos e relações interpessoais.
Ferramentas efêmeras
Controles que só aparecem quando você clica
Ao trabalhar com uma ferramenta criativa, selecione um elemento (um quadro, uma frase, uma cena) e diga o que precisa fazer. Os controles certos aparecem ao redor, apresentando somente o que é relevante para aquele momento. Nada de ficar caçando menus ou memorizando onde ficam os comandos. Quando você terminar, eles desaparecem. Alguém que está editando um vídeo que parece muito lento seleciona um trecho e recebe opções de tempo, ritmo, cortes e pontes sonoras. Você não está perdendo o contato com a sua arte, e sim acessando diretamente os controles certos, a partir do contexto. A forma como as pessoas pensam e a organização das ferramentas ficam mais próximas. O trabalho criativo começa com uma intenção — deixe isto mais claro, mais sutil, mais intenso —, mas o software tradicional é organizado com menus, painéis e modos fixos. Quando os usuários podem concentrar-se nas decisões e não na mecânica, a conversa muda: em vez de falar dos botões certos, falamos do que foi alterado e por quê.
— Itay Schiff, diretor de marketing do Figma Weave
Marcador mágico
Uma ferramenta que entende som, gesto e tempo
Ao refinar um design, você pode circular algo na tela, arrastar para o lugar certo e dizer: "Mova isto para cá". O sistema entende em conjunto sua voz, o caminho do cursor e seu gesto, da mesma forma que alguém da sua equipe faria. Se estiver projetando movimento, pode pegar uma camada e movê-la pela tela, descrevendo o tempo e a suavização como se estivesse numa sala com colaboradores, usando efeitos sonoros e linguagem corporal. Você pode tratar a IA como se fosse outro humano. Não é preciso ter grandes habilidades em engenharia de prompts, nem aprender a indicar objetos dentro de documentos. Você só precisa falar e apontar.
— Tom Giannattasio, designer de produto do Figma
Presença adaptativa
Um sistema que entende os tipos de resultados de que você precisa
Um sistema inteligente vai ajustando sua comunicação e ação conforme as suas respostas. Ele oferece orientação estruturada quando você parece perdido, fica quieto quando você não precisa dele e alterna voz, texto e interação visual de acordo com o contexto. Ele controla o ritmo, simplifica a linguagem ou divide as informações em etapas menores, para reduzir a sobrecarga. Por décadas, os humanos precisaram adaptar-se às máquinas. A incompatibilidade entre a capacidade do sistema e o preparo humana foi ficando mais visível à medida que os softwares ficaram mais potentes e, em áreas como saúde e educação, principalmente com o envelhecimento da população global, essa distância tem consequências reais. Com a IA assumindo a camada de inteligência, temos o inverso: os sistemas adaptam-se às pessoas, não o contrário.
— Anna Oh, diretora de produto e design da Norbert Health
Fluxos empáticos
Interfaces que intuem seus sentimentos e adaptam-se a eles
A velocidade da digitação, a pressão da caneta, o ritmo da voz, a expressão do seu rosto, o número de vezes que você revisa a mesma frase — são todos sinais emocionais que a interface lê e entende, adaptando-se. O app de entrega de comida simplifica suas opções quando detecta estresse por excesso de decisões. A ferramenta criativa fica em silêncio quando você encontra seu fluxo — sem prompts, sem botões. O app do hotel para de apresentar opções de upgrade quando seu padrão de check-in diz que você só quer ir para a cama. Você só recebe uma mensagem: seu quarto está pronto. Você não precisa mais articular o que quer. A experiência passa a oferecer o que você precisa.
— Thomas Vidal, vice-presidente de design de produto da Accor
Sinais situacionais
Sinais que ajudam a regular seu sistema nervoso
Som, movimento e ritmo voltam a ser sinais que orientam você durante uma experiência. No início dos anos 2000, as interfaces digitais estavam cheias desses sinais situacionais: o som da conexão discada, a barra de progresso que era como uma passagem para o mundo em que você estava entrando, a voz anunciando "Você tem uma nova mensagem'". Conforme a tecnologia ficou mais rápida e integrada, esses sinais desapareceram, substituídos por notificações feitas para chamar a atenção em vez de dar orientações. Como a experiência tecnológica dos nossos usuários geralmente já é tão desreguladora, não basta projetar algo que não seja irritante. Precisamos pensar propositalmente em experiências que compensem os outros sistemas de tecnologia com os quais os usuários estão envolvidos. Do contrário, corremos o risco de perder usuários não porque nosso produto seja ruim, mas porque o sistema nervoso deles já está sobrecarregado. Por exemplo: barras de progresso sempre visíveis, sons para registrar transições e uma linguagem visual uniforme.
— Jésabel DC, antropóloga de tecnologias
Ajuste espacial
Uma forma de controlar sistemas com movimento
Em vez de tocar e clicar em telas, você comanda sistemas. Use gestos no ar para moldar e dobrar sons em softwares de música. Navegue em um ambiente de realidade aumentada inclinando e mudando a direção do seu corpo. Ajuste gráficos e animações com gestos dentro de uma ferramenta de design complexa. Essas interações corporais exigem atenção, não é possível apressá-las nem automatizá-las como fazemos com entradas tradicionais. A tecnologia começa a exigir presença em vez de recompensar velocidade, e desacelerar passar a fazer parte da experiência, propositalmente.
— Lee Black, fundador da 1042 Studio
Mistura
A possibilidade de combinar quaisquer duas entradas
Arraste e junte dois arquivos no desktop, pressione dois objetos numa tela sensível ou junte dois objetos com as mãos em XR, e o sistema sintetiza algo novo, misturando as estruturas, tons e significados. Misture uma playlist com um mapa da cidade para gerar uma rota de corrida que combina com o arco emocional da música. Combine uma história para dormir com um contrato para gerar termos de serviço de leitura agradável. Quando qualquer coisa ao seu redor pode ser matéria-prima, você não precisa mais ficar esperando inspiração: você cria fisicamente a inspiração.
— Luke Fiorante, estudante de engenharia de design da Universidade de Harvard
Visualização com pressionamento
Uma forma de prever o desenrolar de uma decisão
Pressione e segure uma decisão para ver aonde ela leva. Veja o possível desenrolar da conversa a partir do rascunho da sua mensagem. Pressione uma compra e veja padrões de como você realmente a usará. Pressione uma tarefa para projetar seus efeitos no longo prazo. Não são previsões genéricas. São simulações dinâmicas baseadas em cenários baseados nos seus próprios dados. O futuro deixa de ser abstrato e transforma-se numa coisa que você pode prever e navegar. Em escala, as implicações vão além das decisões pessoais: em finanças, saúde ou políticas públicas, conseguiremos fazer escolhas mais bem-informadas e duradouras para a sociedade.
— Sirinda Limsong, estudante de engenharia e design da Universidade de Harvard
Marque para manter
Uma maneira de fixar conteúdos num espaço coletivo
Deixe uma marca numa superfície compartilhada e persistente, e ela permanece lá para todos que visitarem, numa camada junto às contribuições de outras pessoas em outros momentos. Ao contrários dos feeds, que são governados pelo seu próprio algoritmo ou escondidos pelo seu login pessoal, esses espaços são atemporais e comunitários. As contribuições acumulam-se e viram murais comunitários, telas de trabalho dos bairros ou projetos de sala de aula. Isso muda o ambiente online: em vez de projetar suas imagens num feed, você passa a construir algo que pertence a todos.
— Charlota Blunárová, designer de marca

Este artigo foi destaque em nossa revista impressa anual, a Start Anywhere. Leia a versão digital ou compre uma.



