Como o Itaú viabilizou testes inclusivos com o Figma Make
Como o Itaú viabilizou testes inclusivos com o Figma Make
O Itaú é um ecossistema financeiro que conecta pessoas e negócios por meio de soluções inovadoras e, além disso, carrega a tecnologia, o design e a experiência humana na essência de todos os serviços oferecidos.
No maior banco da América Latina, o compromisso é com todas as pessoas. Afinal, segundo o IBGE, principal provedor de dados e informações oficiais do Brasil, existem 14,4 milhões de pessoas com deficiência, sendo que destas 7,9 milhões possuem algum tipo de deficiência visual. Por isso, o Itaú construiu uma solução que acelera testes de usabilidade para pessoas que usam leitores de tela ainda na etapa de design, possibilitando o aprimoramento da experiência.
Desafio: prototipação versus leitores de telas
Para criar experiências digitais simples, confiáveis, relevantes e memoráveis, é essencial testar, testar e testar novamente. Porém, as ferramentas de prototipação, como o próprio Figma, não geram estrutura semântica (HTML, ARIA) necessária para que tecnologias assistivas como leitores de tela e controle por voz, funcionem corretamente.
Dessa forma, fica a pergunta: num mundo digital cada vez mais visual, como oferecer uma experiência totalmente equivalente e igualitária para pessoas que navegam por leitores de tela?

Como não havia compatibilidade entre os protótipos navegáveis, criados em design, e os leitores de tela, os clientes testavam as jornadas somente na etapa de produção. O resultado era um retrabalho que gerava maior custo por estar em uma fase avançada no ciclo de desenvolvimento de produtos.
Assim, possibilitar testes de usabilidade na fase inicial permitiria ajustes ainda na fase de design, poupando custos e até constrangimentos por erros facilmente identificáveis em um teste.
Solução: prototipar para ser accessibility first e economizar recursos
O Figma é um ecossistema robusto de soluções de design, mas não tinha uma ferramenta que favorecesse pessoas que usam leitores de tela. E foi neste cenário que o Figma Make surgiu como uma solução no Itaú.
Trata-se de uma ferramenta de IA que transforma prompts e designs criados no Figma em protótipos funcionais, aplicativos web e interfaces interativas. A partir de conversas simples, é possível criar, testar, iterar e aprimorar experiências digitais de forma rápida e intuitiva.
Por ser uma solução tão completa, o time de design de Acessibilidade do banco enxergou na ferramenta a oportunidade para trazer o público com deficiência visual a fazer parte dos testes de usabilidade das telas, através da viabilização de protótipos desenvolvidos no Figma Make.

Primeiramente, foram feitos testes para entender a relação do Figma Make com os leitores de tela. Com a eficiência e integração comprovadas, os protótipos foram testados nas mãos de pessoas com deficiência visual.
“Eu não senti que o layout estava pesado, o leitor de telas funcionou 100%, não senti travamentos, não tiveram botões sem marcações sem nome, nada. Então, é uma coisa, assim, que merece aplausos.” Elogiou uma pessoa que participou dos testes.
Os testes iniciais marcaram um momento histórico para o time de Acessibilidade do Itaú. De forma inédita, pessoas usuárias de leitores de tela conseguiram realizar testes de usabilidade na fase de design, sem a necessidade de envolver um time de desenvolvimento. O impacto foi imediato. A partir desse sucesso, iniciou-se um processo de expansão da solução para todos os times da operação de design.
Resultado: números da inclusão
Algo que resume bem o resultado alcançado pelo time de Acessibilidade do Itaú é a seguinte frase dita por um dor participantes do teste: “Usando o aplicativo, foi uma sensação de ‘Eu estou em casa…’.”
Para ilustrar os benefícios da ferramenta, foi utilizada uma das jornadas levadas a teste com clientes como parâmetro e feito um comparativo entre três cenários possíveis para viabilização destes testes:
- Cenário 1: somente um desenvolvedor prototipando;
- Cenário 2: usando outra ferramenta de IA mais um desenvolvedor para criar o protótipo;
- Cenário 3: o designer replicando o protótipo no Figma Make.
Com isso, as descobertas foram:
- Cenário 1: o tempo de prototipação é de, aproximadamente, 2 semanas;
- Cenário 2: houve uma redução de 55% nos custos de criação do protótipo;
- Cenário 3: a redução dos custos supera 95% diante do primeiro cenário.

Acessibilidade não é adaptação; é ponto de partida
Mais do que criar uma solução tecnológica, o Itaú encontrou uma nova forma de enxergar inclusão com o apoio do Figma Make: trazer pessoas com deficiência visual para o centro do processo desde o primeiro protótipo.
Essa iniciativa fortaleceu a parceria entre os times de Design, Acessibilidade e Research. Atualmente, pesquisas de usabilidade, na etapa de design, já podem ser solicitadas incluindo o perfil de pessoas que usam leitores de tela.
Com isso, a inteligência artificial cumpre um novo papel, em que deixa de ser apenas uma ferramenta de produtividade e passa a promover autonomia e pertencimento.
Ser acessível é ser Itaú.
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